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Escrito por Daniel
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Quinta, 01 Julho 2010 22:30 |
Lisboa é Praia!
Lisboa é Tua!
Inventemos a praia do Rossio!
O MAL-MovimentoAcordaLisboa.com convida à improvisação.
Fazemo-la, jogamo-la e trocamos a areia salgada pela ideia refrescante de improvisar, de inapropriadamente fazer Nosso o que é de todos, -a rua, a Praça de Dom Pedro V!Voltados ao rio em pleno banho de sol, em pleno mergulho de mar salgado em fontanário de esguichos. Bola Nívea no ar e perna de Pau, Super Máxi ou Fizz nos lábios!!! Doces lábios...
Traz a esteira, a toalha de franjas à 80s ou o pareo.
Traz o garrafão e o farnel, monta a barraquinha à sombrinha no Rossio.
Traz o tijolo com funk, as raquetes de praia e juntamos as toalhas numa improvisação encantadora de Lisboa. Lisboa é praia. Lisboa é Nossa. Lisboa salgada de chinelo entre os dedos...
Sábado, dia 10 de Julho vamos à praia! No Rossio! 12:00 horas!
Vem fazer a praia acontecer em pleno Rossio! Vamos ao banho!
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Escrito por MAL
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Domingo, 04 Abril 2010 00:00 |

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Escrito por Firmino Bernardo
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Terça, 25 Maio 2010 11:36 |
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Passa pouco das vinte e duas horas. Entro na estação de metro Jardim Zoológico, sento-me e aproveito para ir pondo a leitura em dia. Cinquenta páginas depois, o metro chega. Viajar de metro, sobretudo à noite, é para quem tem tempo livre. Há muita gente a queixar-se da lentidão, mas eu acho que é uma maneira de impressionar quem vem de fora: “Demorei hora e meia do Colombo ao Vasco da Gama. Aquilo sim, é uma cidade grande”, dirá o visitante ao regressar.
Entro na carruagem, sento-me e prossigo a leitura. Duas estações depois, em S. Sebastião, a paragem parece ainda mais prolongada que o costume. Ouço um aviso: “Por motivos alheios ao Metro de Lisboa, a circulação encontra-se interrompida na linha azul.” Esta mensagem irrita-me. É por isso que faço aqui um apelo ao Metro de Lisboa: mudem-na de vez em quando. Já não vos peço para antecipar nem resolver problemas, mudem a mensagem. É que, além de repetitiva, tenho a sensação que as pessoas não acreditam muito na parte do “por motivos alheios ao Metro de Lisboa”.
Pouso o livro, olho para trás e reparo que há muitas pessoas levantadas. Formam um círculo à volta de algo que não consigo ver. A curiosidade é tanta que o motivo só pode ser desgraça alheia. Um funcionário entra na carruagem e diz três vezes “Deixem-me passar”. Eu não digo que este pessoal do Metro é um bocado repetitivo? As pessoas lá se afastam e vejo um homem com pouco mais de trinta anos, estendido no chão, de olhos fechados. Perto dele, há três homens com garrafas de cerveja na mão, aflitos.
Tenho de dar o braço a torcer e acreditar, pelo menos desta vez, nos “motivos alheios”. Se calhar, já duvidei injustamente da expressão, noutras ocasiões. Uma vez mais, o problema é a frase ser sempre a mesma. Se de vez em quando, dissessem “não há metro para ninguém e a culpa é só nossa”, talvez acreditássemos quando dizem que os motivos são alheios. Fica aqui o conselho: admitam a culpa em dez por cento dos casos.
Antes que o funcionário pergunte o que aconteceu, um deles aponta para outro e diz “foi ele”. “A culpa não é minha”, defende-se o acusado. “Tu deste-lhe um murro”. O funcionário manda-os calar e tenta reanimar o homem que está no chão. Esbofeteia-o, escuta-lhe o coração, sai da carruagem, chama um colega e diz “temos de chamar o 112”. O outro não concorda.
Os passageiros mantêm-se sentados. “Não consegui ver nada”. “Foram eles que estavam bêbedos e desataram à pancada”.
Fora da carruagem, os funcionários discutem o que fazer. Um passageiro com pressa e que, apesar de tudo, optou pelo Metro, sugere: “a gente puxa-o para fora da carruagem e vamos embora”. O funcionário intervém: “Ninguém lhe toca. E se acontece alguma coisa, quem é que se responsabiliza?” Pelos vistos, não o preocupa muito que “aconteça alguma coisa”. Agora, se o responsabilizarem, é capaz de haver problema.
Enquanto o outro se prepara para chamar o 112, a suposta vítima levanta-se e sai do metro. Os colegas demoram um pouco a perceber o que aconteceu, levantam-se e seguem-no.
“Estúpido”, diz uma senhora, “afinal, estava só a fingir, para o outro se sentir culpado por lhe ter batido”. Estúpido, sim. Bêbedo, também. Mas há que admitir que até é bom actor. Quem dera a muitos conseguirem uma actuação tão convincente.
Os funcionários ficam algum tempo especados a pensar, com muita força, como devem reagir. Depois de tanto pensar, chegam à conclusão que não há nada a fazer. As portas fecham-se e a viagem continua. Olho para o relógio, já estou bastante atrasado. Pelo menos, levo setenta páginas lidas e mais uma história para contar.
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Escrito por João Meirinhos
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Quinta, 13 Maio 2010 11:28 |

Pus em prática, nestes últimos anos, formas de como é possível viver sem utilizar dinheiro, literalmente! Vivi só à base de reciclar comida dos supermercados! Existe uma proporcionalidade directa entre a riqueza per capita de uma cidade e a qualidade e quantidade dos seus desperdícios. À medida que vamos caminhando cada vez mais para norte tudo aumenta. É possível mobilar uma casa; reformular o teu guarda-fatos com roupa limpa e em boas condições todos os meses, encontrar artigos raros, imprevísiveis, um pouco de tudo se encontra no luxo em que o lixo se torna. “One man’s trash is another man’s treasure” foi o meu lema por terras estrangeiras! Em Lisboa é muito mais díficil de viver assim porque existe uma quantidade tão mais reduzida de supermercados e quem recicla alimentos são, maioritariamente, sem abrigos que não têm outra opção de vida (não como em certos países europeus que quem o faz são jovens que assim agem por razões éticas e muitas vezes políticas, aliás, é quase uma obrigação moral quando me deparo com comida perfeitamente comestível que se ninguém pegar nela será destruída!). Nestas cidades o lixo de uma só noite dão para alimentar diversas famílias, e sobra, sobra sempre. Imagine-se, se se tem uma caixa de vinte e quatro ovos e um deles está partido, a caixa toda é deitada fora! O mesmo sucede com os conjuntos de pacotes de leite, sumos, iogurtes, batatas, cebolas, por aí adiante. O que se encontra com mais abundância são definitivamente as frutas e vegetais que basta que fiquem um bocadinho mais amachucadas ou com um aspecto menos perfeito para o olhar do cliente e são imediatamente atiradas para o lixo em quantidades abismais. Maçãs, bananas, tomates, beringelas. Visto que vivia em comunidade anarco-punk e quase toda a gente era vegetariana, a carne não nos fazia falta! Mas também se encontra claro! Na maior parte das vezes ainda com alguns dias dentro do prazo de validade. Lembro-me bem quando abri um contentor em frente a um supermercado em Amesterdão (onde a prática de dumpster diving é ilegal, talvez por não parecer bem ver pessoas a rebuscar os restos dos outros em busca de comer) e, qual não foi o nosso espanto quando notámos que o dito contentor estava exclusivamente cheio daquelas sandwiches triangulares pré-feitas, uma trezentas sem exagero! Até sushi havia! Na Escandinávia o volume de pão fresco que diariamente é desperdiçado, somente num hipermercado, excede os quatro contentores, cada um do tamanho de um ecoponto para vidro, plástico ou papel. E assim por diante...
A seguir só falta o tecto sobre a nossa cabeça para que nos proteja do frio e nos dê um local quente onde descansar. Para isso, okupávamos! Lentamente urbes como Berlin, com um historial sobre okupação interminável têm vindo a ser pressionadas para que deixem de existir ou façam algumas concessões ao Estado para que possam ser controladas, como pagar pequenas rendas pela água e electricidade, alterando aos poucos muitos dos ideais que estiveram na origem do nascimento deste vasto movimento. Barcelona, no entanto, continua a ferro e fogo! Na lei lê-se: “toda a pessoa residente na província da Catalúnia tem direito a um tecto!” e a partir desta premissa dentro da cidade reside uma cidade paralela, subterrânea quase, que gostamos de chamar de Karcelona! Se se encontra um prédio em escombros, visivelmente abandonado, vai-se verificar os papéis de construção para confirmar de que não existe nenhum plano presente de fazer com que a casa se torne funcional. Caso tal não se verifique, okupa-se! Entramos e resistimos por um mínimo de quarenta e oito horas para provar que a casa está agora okupada e estava, anteriormente, sem uso. A polícia vem, identifica um dos novos okupantes e contacta o dono. Este, quando encontrado, contacta o seu advogado e decide o que fará em seguida. Ou seja, em príncipio, começará um processo judicial (civil ou penal), com base na mesma já referida lei, em que ambos os lados terão o seu direito a ser ouvidos pelo tribunal. A polícia só tem, teoricamente, direito a evacuar os novos habitantes da residência com ordem expressa de um juíz (apesar de, como sempre, a polícia tem sempre a tendência a fazer tudo para passar por cima da lei e abusar do seu poder).
A primeira casa que okupei era uma antiga padaria, abandonada à quase vinte anos, daqueles antros que só dão mau aspecto ao bairro! Isto dá-se porque, como se sabe, os preços estão sempre a aumentar, e deixar uma casa assim ao abandono só favorece os donos que, daqui a uns anos a podem vender por trinta vezes mais o seu preço original, sem mexerem uma palha! Típica especulação imobiliária! Para os ricos tudo, para os pobres nada! Justiça? È o que todos queremos! Supostamente... Em seis meses que estivemos dentro desse espaço, que era quase do tamanho de uma fábrica, criámos um centro social aberto a todos! Fizemos restaurante e bar semanal onde serviamos comida ao preço que a pessoa quisesse dar, se não tivesse ou não quisesse pagar, não era preciso. Comida grátis! Ao bom estilo do movimento Food Not Bombs que em certas cidades americanas, como São Francisco, os seus membros são tratados como terroristas (sic). Mostrámos filmes, muitas vezes documentários de cunho intervencionista ou produções que de outra forma nunca veriam a escuridão duma sala de cinema. Fizemos festas e concertos com mais de quinhentas pessoas presentes somente para angariar dinheiro com fins solidários, para pessoas que lutavam contra alguma injustiça e, muitas vezes, tinham de suportar os elevados custos legais que isso acarreta! E estávamos a caminho de começar a desenvolver uma programação semanal que incluísse workshops e actividades afins. Para além de, no mínimo dez pessoas lá viverem, e outras dezenas por lá terem passado. Portanto hospitalidade, novamente, grátis, como tudo pode ser! Centros Sociais Autogeridos que se baseiam nesta filosofia são às centenas em Barcelona, para além de todas as outras casas que são okupadas só mesmo para viver em paz e sossego! Muitos (e são muitos!) dos costumeiros argumentos contra este estilo de vida é que simplesmente nos estamos a aproveitar do trabalho dos outros, que somos uns preguiçosos que não queremos trabalhar! Eu quero trabalhar, eu trabalho todos os dias, gostaria de ainda encontrar um emprego que me preencha na íntegra, caso não seja possível, farei o que houver disponível como qualquer outra pessoa! Vivemos este estilo de vida por escolha própria! Eu sou licenciado (não que isso hoje em dia queira dizer alguma coisa de especial) mas penso que é necessário dar o corpo ao manifesto e demonstrar na nossa própria carne o que está mal nesta sociedade ocidental do desperdício extraordinário e disparidades galopantes! O dinheiro corrompe o melhor da nossa Humanidade, chegará um dia que nos livraremos da sua influência nociva sobre a formação do carácter do ser humano e talvez nos redescubramos em pequenos prazeres que já tinhamos deixado de lado. Sempre que, por exemplo, há uma quebra geral de electricidade na cidade, ponho-me sempre a pensar, como seria a vida há cem anos atrás?
O tédio e a rotina são também doenças, causam stress e frustração. O que pode vir a causar sérios problemas de saúde! Al Berto escreveu que “viajar cura a melancolia!” eu gosto de pensar que sim, e não só, abre horizontes e dá-nos a possibilidade de viver uma vida rica para ter todos os dias novas coisas com que partilhar com quem amamos! Lisboa tem muitas casas abandonadíssimas pelas quais já passo à décadas, boquiaberto. Por outro lado, na estação de Santa Apolónia só se vêm é corpos imundos atafulhados em cima de pesados cobertores e caixas de cartão improvisadas a servirem de lar! Tanto quanto sei a lei portuguesa para estes assuntos baseia-se no uso capião, ou seja, são necessários vinte anos para que um imóvel possa ser considerado de outrém, caso esse conseguisse provar que já lá habitava à vinte anos. Essa lei deveria mudar! A baixa do Porto está completamente vazia, são prédios inteiros a acumularem mofo e tristeza! E não só para viver, os centro sociais são locais abertos a todos, sem discriminação, com o objectivo de partilhar experiências, aprender com os outros, expôr os nossos trabalhos de uma forma não-comercial e fora dos sistemas oficiais de exposição, onde é sempre preciso atravessar muralhas impeditivas de burocracia, autorizações e, consequentes, taxas! É preciso pagar praticamente para respirar! Muitas vezes, como experiência sociológica, tento oferecer coisas às pessoas no metropolitano, maioritariamente doces! Ninguém normalmente recusa doces! Vindo de uma estranho pois claro que recusam (mesmo que o quisessem), poucas são as que aceitam! As pessoas já não estão habituadas a que algo possa ser de graça, só para arrancar um sorriso a alguém, desconfiam!
Bem, acho que já escrevi mais do que o suficiente, caso alguém tenha tido a paciência de me aturar até ao fim do texto, o meu muito obrigado a todos vocês! Façamos da cidade onde vivemos o local mais harmonioso possível, juntando as energias, pondo tudo sempre em questão, inovando sem medos, com esperança num futuro de volta às raízes, tratando os outros como gostaríamos que nos tratassem a nós.
João Meirinhos ----- 2010
www.movimento-xexe.blogspot.com
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Escrito por João Meirinhos
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Quinta, 13 Maio 2010 11:26 |
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Muitos têm vindo a abandonar as cidades. Uma bela solução para muita frustração será a reorganização das populações em comunidades onde aprendemos a fazer tudo por nós mesmos duma forma orgânica e natural, partilha directa! Neste momento todos os meus melhores amigos vivem fora de Portugal ou numa montanha algures no interior, desenvolvendo estruturas alternativas de auto-sustentabilidade. Há quem lhe chame primitivismo, mas com todas as conversas sobre o aquecimento global e a perda da identidade nas grandes metrópoles urbanas transformadas em taylorismo social, em aglomerados absurdos de gente variadíssima, em engavetar pessoas que vão perdendo a sua humanidade duma maneira estrictamente funcional para os desígnios do capitalismo, o êxodo urbano parece-me das saídas mais viáveis para quem busca a tão prezada Felicidade. O que nos motiva? A sobrevivência? Ou a acumulação desenfreada por coisas que não precisamos enquanto outros são mal pagos e mal tratados em trabalhos mais essenciais e mais díficeis de suportar? Muitas vezes ainda tentando concretizar os seus sonhos de juventude cada vez mais esbatidos, no pouco tempo livre que têm! O que mais me irrita nesta democracia é a sua aparente perfeição. Ainda bem fresquinhos saídos de fascismos e guerras, os Estados europeus metem-me medo quando atingirem um nível em que criar utopias, especular e criticar o que pode estar melhor, se tornar num tabú. E estaremos todos contentes e solitários, não nos preocupando com o próximo, trabalhando e consumindo como cidadãos bem treinados? Para mim é óbvio que, se clamamos globalização, temos de levá-la à prática e, ás vezes sim são necessárias medidas autoritárias, mas no sentido inverso. Ou seja, para mim, enquanto existe desperdício vísivel e super-produção de artigos que são dispensáveis. Toda essa mão-de-obra, matéria-prima e, consequente, lucro económico, deve ser redigirido para quem não tem acesso aos níveis mínimos de qualidade de vida e que luta diariamente contra abusos dos direitos humanos! Sem sequer pestanejar! Isto é claro como a água, simplesmente árduo de aplicar está claro (sem ser extremamente injusto), graças aos cancerosos interesses instituídos de um punhado de homens acima da lei, que são a Lei! Pessoas que constroem as crises e aproveitam-se delas e tratam os seus semelhantes como meros números. Temos de voltar às raízes se queremos sobreviver, estamos numa fase em que o próprio tempo funciona mais rápido que alguma vez, a evolução está fora de mão, imagino como pensam os idosos que viram como o mundo mudou tão radicalmente em apenas meio século. O planeta vai entrar numa nova fase e nós temos todos de estar preparados para as alterações radicais que estão para chegar, escolhas fulcrais terão de ser tomadas!
Ainda não estou preparado para viver no campo. Viver em contacto com a Mãe Natureza, viver fora das cidades. Eu, infelizmente, identifico-me com todo este betão e poluição e ruído e pressa e não conseguir estar em dois lugares ao mesmo tempo mas tentar fazê-lo na mesma. Sou um filho da Babilónia. Sou um filho de Lisboa. Gosto da confusão, estou habituado a ser anónimo, estou habituado a poder fazer o que quiser que na esquina a seguir desapareço na multidão e já ninguém me reconhece e nos próximos cinco minutos já ninguém se lembrará de nada! Habituei-me à perda de valores, a pisar o próximo para superar e ser o melhor. Foi preciso da minha parte muita desconstrucção da minha personalidade e, por conseguinte, reconstrucção da mesma. E não foi porque os meus pais não me educaram correctamente, pelo contrário. Foi a cidade que me criou! Foi a Lisboa dentro de mim que tive de matar para encontrar quem realmente sou e o que realmente quero fazer sem ser tentado até suas garras de ócio fútil. Quero ajudar quem mais precisa e quero criar obras de arte de que me orgulhe. Espalhar magia! Fazer a diferença! Dar sem precisar de receber!
(continua...)
João Meirinhos ----- 2010
www.movimento-xexe.blogspot.com
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Escrito por João Meirinhos
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Quinta, 13 Maio 2010 11:23 |

Lisboa é a minha cidade. Aqui nasci, como tantos, quase todos, em São Sebastião da Pedreira, na maternidade Alfredo da Costa. Cesariana. Não tinha o cordão umbilical à volta do pescoço não. Acho que não queria era mesmo sair daquele quentinho bom e olhar em volta e viver! Só aos três anos disse a minha primeira palavra. Foi Abelhá! O nome que dei à minha avó materna, uma segunda mãe para todos os seus netos. E pegou! A tão esperada palavra tornou-se sinónimo de novo nome para a minha querida avózinha! Toda a família assim passou a chamar-lhe: Abelhá! Acho que nessa altura já percebia o que se andava a passar à minha volta, duvido era que tivesse paciência, nem interesse em exprimi-lo. Sou filho único! Sou um revoltado contra tudo e contra todos que assim deseje, porque vivemos em liberdade e prezo-a, por tal e, na minha óptica, a única maneira de a louvar é sê-la. Sou liberdade! Para tudo e todos os que queiram, verdadeiramente, pensar e reagir por si próprios sem atropelar a liberdade de mais ninguém! E, de preferência, sem se ofenderem com míseras ninharias, dogmazinhos da treta, fait-divers apreendidos por hábito ou repetição politicamente correcta. Compreendo que não somos todos iguais, longe disso é meu desejo. Ou sou eu que sou muito diferente, chamem-me libertário, anarca, imaturo ou passado dos cornos (descansem, que já me chamaram de tudo!) ou, desculpem lá se vou cair no tom patético duma literatura cor-de-rosa mas, existe nesta cidade e neste planeta gentinha mesmo reles que nunca se observaram à lupa. Até tremeriam quando tudo o que são lhes fosse atirado à cara, acreditem, há maneiras de o fazer! Por outro lado, Portugal está cheio de boa gente, pura! Somos compensados pelas almas divinas que encontramos todos os dias, muitas das vezes ao acaso. Ai acaso acaso, seja-lo ou não, és das coisinhas que mais aprecio nesta vida, para além de baralhar as expectativas das pessoas com aparências contraditórias e fazer misturas gastronómicas surrealistas, é o acaso, ai acaso, excitas-me! É muito bom estarmos, sermos, sempre conscientes que, para o ego animal/humano, a nossa própria liberdade individual terá sempre mais relevância que a de qualquer outro. Essa é a tendência. Há que saber recusá-la, e há que saber aceitá-la e saber viver com ela. Tornar tudo em luz a cada sílaba, com cada olhar. É o objectivo! Passei muito tempo sozinho dentro de mim mesmo, sabem? Sabem agora, acabei de vos dizer que passei muito tempo sozinho dentro de mim mesmo! Não sei se ainda o faço, não me lembro de quem fui e quem sou muda a cada segundo, apesar de me manter o mesmo, sei que mudo. Penso que ter consciência total de nós mesmos é uma simpática dádiva. Também é uma ilusão eu sei, também adoro reparar como nos iludimos, e como, tal como na física quântica, o príncipio da incerteza revela-se em todas as suas formas, porque somos amostras micro-orgânicas dentro de um macro-organismo vivo chamado universo, galáxia, sonho! “Nothing is true! Everything permitted!” William Burroughs. Por tudo isto escrevo livros até que me desunho. É paixão! Não é arte, é só tempo, momentos guardados dentro de momentos sobre outra forma que não sobre a oculta e psicadélica meta-forma chamada Consciência. Nunca os publicarei provavelmente, mas não faz mal. É um vício, um prazer como qualquer outro, podem-se discutir mas não vale a pena contrariá-los, vão e ir-se-ão tal como tudo, naturalmente...
Será Lisboa natural? Temos miradouros, variados jardins, um belo rio, uma ameaça permanente dum terramoto ou tsunami que abane connosco, turistas de passeio que a acham a cidade mais bonita que alguma vez viram. Eu, já não lhe consigo achar a mesma piada porque já cá vivo à, pelo menos, vinte anos. Mas amo-a, sempre será a minha cidade! Uma vilazita a fazer de capital dum país a fazer-se de europeu. Ainda me constrange que o Bairro Alto feche mesmo às duas da manhã durante a semana. Não temos after-hours nem sequer discotecas com relances de música moderna e decente o suficiente para colmatar o presente oásis de boémia noctívaga! Era uma das coisas que fazia com que a cidade se distinguisse um pouco duma Europa sensata e aplicada. Que um dia será uma fortaleza? New World Order e conspirações afins? Não entremos por aí desta vez... A próxima medida será proibirem as pessoas de beber na rua ou, tal como algures na América, em que se sete ou mais pessoas se juntam para um passeio de bicicleta têm de pedir autorização à câmara porque já é um ajuntamento grande demais (perigoso?) de actividade pública espontânea? Reclaim the streetspois com certeza! A arte deve voltar às ruas, antes que nos isolemos definitivamente nas nossas prisões domiciliárias pós-laborais na companhia irrefutável da amorosa e jamais aborrecida Televisão. Onde tudo se sucede tão rapidamente e ao mesmo tempo que, entre entretenimento e educação, não sei o que sobra ou o que simplesmente se evapora quase de imediato. Quero vizinhança, originalidade, aventura, inovação, humor, intervenção e acima de tudo, gente na rua!
(continua....)
João Meirinhos ----- 2010
www.movimento-xexe.blogspot.com
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Escrito por Alice
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Segunda, 29 Março 2010 13:28 |
Quando as salas de cinema fecham, há sempre um lençol
por Clara Silva, Publicado em 29 de Março de 2010 |
Sábado foi noite de projecção de filmes em cinemas abandonados de Lisboa. Uns são igrejas ou supermercados, outros estão a apodrecer.
À porta do antigo cinema Xenon, numa cave da Avenida da Liberdade, várias pessoas engravatadas enchem o pequeno corredor onde outrora um arrumador picava bilhetes. A sala de cinema fechou em 1990 e, desde então, tem tido mais movimento à noite do que nos dez anos em que exibiu filmes. Depois de encerrar, o Xenon foi vendido e transformado numa igreja pentecostal. Não foi o único. A reconversão parece ser o destino das salas de cinema espalhadas por Lisboa.
No cinema Império, na Alameda, as paredes assistem desde os anos 90 às cerimónias da Igreja Universal do Reino de Deus, a actual proprietária do edifício. As cadeiras do cinema Royal, na Graça, foram substituídas pelas prateleiras do supermercado Pingo Doce que ali se instalou. Na Avenida Álvares Cabral, o filme é parecido: o Jardim Cinema, com capacidade para mil espectadores, transformou-se em salão de jogos e é agora uma espaçosa loja chinesa, onde cabe tralha para todos os gostos.
"Existem perto de 100 salas de cinema abandonadas e reconvertidas", afirma Alice Banza, uma das fundadoras do Movimento Acorda Lisboa (MAL), que organizou no sábado sessões de projecção de filmes nas fachadas de quatro antigos cinemas da cidade: Xenon, Odéon, Animatógrafo do Rossio e Salão Lisboa.
O som dos peep-shows do antigo Animatógrafo do Rossio é rapidamente abafado pelas colunas do cinema improvisado na Rua dos Sapateiros. A equipa do MAL ergue um lençol de dois metros do outro lado da rua e cerca de trinta pessoas amontoam-se em frente à sex-shop, um dos poucos edifícios exemplares da Arte Nova na cidade.
"Usamos um portátil, um gerador, um projector e colunas", conta Alice, que já realiza sessões de cinema em lençóis desde 2007. Na Rua dos Sapateiros, o projector é colocado em cima de um caixote do lixo para estar à altura do lençol. "Os filmes que aqui exibimos são cedidos por jovens produtores e alunos de escolas de cinema", explica. "Recebemos vários."
Ao fim de duas curtas-metragens, já toda a gente está sentada no passeio como numa confortável sala. Excepto quando os poucos carros que passam na rua interrompem a projecção. De repente, um africano aterra na rua com um mão cheia de colares para vender. Se ao menos fossem pipocas...
Fotografia - Martim Ramos/Kameraphoto
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Escrito por Alice
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Segunda, 29 Março 2010 13:12 |

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Escrito por Daniel
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Terça, 23 Março 2010 00:37 |
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CinePiolho pelo MovimentoAcordaLisboa.com
4 cinemas abandonados no coração da cidade
Sábado, 27 de Março, 21.30 às 01 horas
O MAL-MovimentoAcordaLisboa.com -Associação Cultural sai à rua!
Em quatro majestosas fachadas da cidade, exploramos o tempo e o talento. Convidamos os lisboetas a revisitar simbolicamente estas quatro salas fechadas, espaços de outro tempo, ao som e imagem dos mais recentes filmes de uma nova geração de realizadores. Juntamos o mais fresco ao pó colado nas fachadas. Curtas metragens de uma geração que retoma Lisboa, que a busca incessantemente, que a reconstrói, que a quer!
Sábado, saímos à rua, pela boca grande da Avenida da Liberdade, embicamos pelas Portas de Santo Antão dos teatros, galgamos na tesão do momento que não termina nessa noite no animatógrafo da Rua dos Sapateiros mas sim em pleno Martim Moniz onde diz: Salão Lisboa.
PROGRAMA:
XENON (junto do Elevador da Glória)
Avenida da Liberdade
21.30 horas
Nightmare Polaroids João Vagos
Memoirs of a scanner Damon Stea
The light of life Daihei Shibata
ODEON (abaixo do Hard Rock Café)
Rua dos Condes às Portas de Santo Antão
22 horas Fado Tonight de Henrique Barroso (30min)
ANIMATÓGRAFO
Rua dos Sapateiros
23 horas
The escape Frederico Costa
Assim aconteceu o inevitável Frederico Costa
Pisa Papéis Frederico Costa
SALÃO LISBOA
Praça Martim Moniz
00 horas
Everyman is an Island de André Marques (6min)
A Lei dos Outros de Tiago Carvalho (25min)
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O MAL agradece, de megafone cheio!
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Escrito por Alice
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Sexta, 26 Março 2010 17:54 |

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