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O Grémio Lisbonense, uma casa que nos transporta para outro tempo vai fechar.
A notícia não é nova e num ano em que já se perderam sítios míticos como o Bleza quase que passamos indiferentes a esta senda que visa garantir a tranquilidade em zonas tão esvaziadas como São Paulo ou a Baixa.
Numa cidade bela e eterna como poucas, um espaço como o Grémio Lisbonense tem um papel fundamental, possibilitando ao lisboeta espreitar por dentro um lugar que não faz mais parte do nosso modo de ser. Em plena praça do Rossio, olhamos a varanda, fingimos poder ouvir as conversas que cúmplices guardam para si. Seguimos viagem passando o arco que leva a Rua dos Sapateiros desaguar à praça mais nobre da cidade. À nossa direita o animatógrafo, um local de uma arquitectura explênida. Jugendstil à bruta! À esquerda, uma dupla porta convida a subir a escadaria -velha, velhíssima e marcada por um vai vem que começou há mais de 200 anos.
A porta do andar mais nobre do prédio pombalino, entreabre-se e junto de um bar abre-se um sorriso de quem já recebeu inúmeros curiosos para além dos habituais sócios da casa. O Grémio é uma instituição centenária que disponibiliza um espaço de lazer e cultura aos mais típicos lisboetas. Num salão nobre que já contou dias mais respeitáveis reúnem-se jogadores, homens de hábitos firmados, homens que entre o cigarro e as notícias do dia são incapazes de não tentar a batota e ganhar a cartada aos amigos de longa data. As mesas de jogo são inúmeras e os baralhos dispersos convidam o curioso a deixar morder o vício de uma espadinha, de uma sueca a pares ou de uma paciência à francesa, ou de outro estilo qualquer de canastra.
A varanda? A varanda pertence à sala de bilhar. Três degraus e lá está ela, ainda tapada à espera de quem a conheça e sobre ela saiba brilhar. As bolas por aqui, são mesmo de marfim.
À noite a casa tem de ganhar pela vida. Há longa data que é alugada para realizar festas de aniversário, festas de Erasmus, de amigos que aliciam a cidade a partir de uma varanda explorando o chão imenso de madeira, um soalho de tábuas de uma madeira distante, de um tempo distante a um pézinho de dança. São salas feitas de paredes e tectos que guardam as emoções de longas noites de verão vividas em euforia, cúmplices dessa energia tão positiva que é amar Lisboa. Quem não foi ainda? Quem não vai há algum tempo?
Pois está na hora! Na hora dos dias ainda compridos e das noites quentes...está na hora de ir pela primeira vez, na hora de ir mais uma vez e vibrar num espaço tão belo, num espaço que ainda, por estes dias faz parte do nosso tempo.
LOCAL: Baixa Pombalina na Rua dos Sapateiros, 226 - 1º
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