" ...não vele a pena tentar explicar a quem não entende, pois esses também não fazem falta..."
Foi uma das frases conclusivas da conferência (com as participações, entre outros, de José Luís Peixoto-escritor, Henrique Raposo-cronista do Expresso, Nélson Santos-jornalista da revista Loud!), que se deu neste dia de reunião de uma representativa tribo, para mais uma partilha de ambientes e simbolismos, e comemoração do estilo musical METAL.
Este estilo musical costuma fazer levantar a sobrancelha de preconceituosos, pois a unica mensagem superficial que captam é a de cabeludos violentos, ou seja, está sujeito a críticas de sendo comum, como qualquer outro objecto artístico que não conduza á massificação. Como qualquer outro estilo de música que se preze, o Metal também se expande em diferentes nuances, e é envolvente, pressupõe entrega e paixão, faz sonhar com mundos românticos paralelos, e faz alusão ao nosso lado mais puro, intenso e natural.
É um corte, uma forma de cultura, um radicalismo, uma forma de estar, que se exterioriza e vive de diferentes formas, não se impõe a ninguem, e só o entende quem consegue senti-lo.
Estivemos todos no mesmo espaço, a respirar um mesmo estado de espírito, mas respeitosamente a absorvê-lo de forma individual e particular.
Das 17h ás 3h da manhã o veludo, as rendas e o latex reinaram, na companhia de uma exposição de vários foto-jornalistas e de várias bandas de heavy-metal a servir de welcome gallery, da exibição do filme documentário Global Metal de Sam Dunn (que também já tinha realizado o Metal: a Headbangers Journey e o seu ultimo trabalho foi o Flight 666 dos Iron Maiden), e ao som de Bizarra Locomotiva, dos Moonspell, e do projecto "Opus Diabolicum" (banda de violoncelos e percussão, de covers dos Moonspell), os ingredientes estavam lançados para uma noite festiva, a ser passada em muito boa companhia.
É interessante reparar agora que rumando eu dessa cidade nas margens do Avon onde nasceu o trip hop *1, que traga no ouvido todo o mundo em som e não só essa música urbana de entre paredes da maior cidade do SW britânico *2. Nas ruas viam-se músicos aquiacolá de inócua música tocando, junto ao porto um tocador africano puxa e repuxa as cordas do seu instrumento, no Watershed soa soft rock, uma banda trashy toca algures num bar que me escapa nas alturas dos prédios, um jazzinho ressalta atrás de portas caras e ombros assustadoramente largos. Num pub inglês onde entrei para um tardio breakfast debita-se pop e servem-se Sagres, dos auriculares de um transeunte solta-se heavy e de alguns carros que passam salta pelo vidro hiphop.
Dentro de portas se vibra a festa pois as ruas sofrem quando o quase inexistente sol lhes cai em cima ou a chuva persiste. E assim fiz as minhas noites em música no Mr Wolfs, bar refrescante em cerveja e sons do mundo lá do sítio. Antes tinha passado por um pub para raptar uma pint e deslumbrei-me com uma video-jukebox. Servido a bitter e a ale inglesa entrecortada a Dragon Stout, Leffe e milhentas beberagens checas e japonesas de que me escapa o nome, danço no Mr Wolfs em três noites seguidas ao som de:
Loonaloop
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Pepê Barcellos
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E ainda Vamos Band, Gecko e Shadz - difíceis mas não impossíveis de triangular no YT - agora só não o quero. O som da cidade do som soa assim, suave e amplo. Como gosto.
*1 portishead, tricky, massive *2 mild mild west segundo Banksy
Sem querer ofender....e sem menospresar a originalidade, potencial, e criatividade porque até me agradou bastante.....faz-me também lembrar Antony.
O artista multifacetado e premiado, Valter Hugo Mãe, é o vocalista e compositor das letras deste projecto musical, que conta também com elementos dos Mão Morta. O primeiro single é o tema Meio Bicho e Fogo. http://www.youtube.com/watch?v=ubqT7tm4ksE
É o nome do novo álbum desta grande banda já com quase 9 anos de existência, os irmãos Eddie e Phil Stardurt vão alegrar a malta do Jolie, com mais um concerto!
A Crítica: (segundo os mesmos)
“Obviously the most important band from Europe since Quarteto 1111.”,Rolling Stone
“É um som que me faz perder completamente as estribeiras. Sou capaz de dançar durante horas sem a mínima noção do tempo”. , Manuela Ramalho Eanes
“Clever and hilarious... makes many another comic bands like Tenacious D or Flight of The Concords look amateurs in comparison”, Uncut
“Esta banda é um bálsamo fresco e cheirosinho para todo um mundo que sofre!”, Dalai Lama
Auditório dos Oceanos, Casino de Lisboa, 30 Junho, 22h, 8euros
Só temos de saber onde metemos os nossos pés, muitas vezes isso não acontece e acabamos por nos esquecer quem somos, de onde viemos e com quem estamos.
Mas em qualquer situação em que estejamos metidos, existe sempre um momento de clareza bem distinto do resto, que vem lá mesmo do interior do nosso instinto e que por súbita estalada nos situa no tempo e nos relembra quem somos, nessa altura devemos apenas fazer o que o instinto manda. Nessa altura percebemos quem corre ao nosso lado e quem não.
Dica: Oiçam o vosso instinto, não corram só atrás daquilo que não têm, procurem os pormenores escondidos desta vida e os resultados irão aparecer. No final, só o sorriso na nossa cara em frente ao grande ponto de interrogação que é esta vida é que conta.
Como banda sonora para esses momentos de clareza recomendo El Ten Eleven (Site Oficial) | (myspace). É incrível a capacidade sonora deste dois rapazes Kristian Dunn e Tim Fogarty provenientes de Los Angeles que só armados com uma bateria, um baixo, uma guitarra e vários pedais de loops fazem melodias espantosas. Com três álbuns lançados: These Promises Are Being Videotaped, Every Direction Is North e El Ten Eleven, continuam a evoluir e deixar de boca aberta aqueles que os vão ver ao vivo. Eu como de costume deixo o link para a minha favorita ao vivo para perceberem a raça de El Ten Eleven.
Dia 29 de Maio, decorrerá a segunda edição Open Day, num dos pólos mais criativos de Lisboa - o LX Factory. Enquadrado nesta celebração, a NCS produz um evento inesquecível, onde novos talentos da música e visuais portugueses, cruzam-se com talentos já experientes, na enorme sala das colunas.
Um evento digno de uma viagem repleta de qualidade que vai do rock ao techno, passando por uma panóplia de géneros como hip hop, funk, disco e electro.
Não é em Lisboa mas é já aqui ao lado, e vale a pena!!!
6º OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
Duas semanas de músicas de vanguarda, cinema e outras artes multimédia, com destaque para as estreias nacionais do compositor norte-americano WILLIAM BASINSKI e dos lendários britânicos WHITEHOUSE.
Já a caminho da sua 6ª edição, a grande festa da música invulgar e de vanguarda acontece este ano entre os dias 15 e 29 de Maio e, como habitualmente, as actividades decorrem em diferentes salas da cidade do Barreiro.
O epicentro da festa será o fim de semana de dias 22 e 23 no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC) e na colectividade SDUB "Os Franceses" respectivamente, com concertos de William Basinski, Whitehouse, Spectrum, Sei Miguel, Gala Drop,Loosers, Ducktails entre muitos outros, naquele que promete ser o melhor e mais completo cartaz da história do festival.
O destaque vai para a estreia nacional de dois nomes históricos: o compositor norte-americano William Basinski, explorador de misteriosas pontes que parecem ligar tempo e memória; e os polémicos Whitehouse, precursores do noise enquanto género musical, e líderes no campeonato da demolição dos sentidos e colapso de altifalantes. Também única será a oportunidade de testemunhar a recriação de temas dos Spacemen 3 pela mão de Sonic Boom e dos seus Spectrum.
Paralelamente, e pela primeira vez no festival, estará aberto em permanência um espaço multidisciplinar na Escola de Jazz do Barreiro com exposições, instalações, concertos e performances, com destaque para os artistas plásticos Ana Baliza eEdmund Cook, numa composição para rádio e ocorrências visuais dedicada a John Cage.
Na secção de cinema, as sessões dividem-se entre o CineClube do Barreiro e o AMAC onde estará também instalada a estrutura CineCubo, com uma selecção de curtas-metragens programada pelo FIKE - Festival Internacional de Curtas-Metragens de Évora. Serão exibidos documentários sobre artistas como Patti Smith ou Sonic Youth, mas o destaque irá inevitavelmente paraMusical Brotherhoods from the Trans-Saharan Highway, documentário sobre as irmandades de músicos de rua das cidades de Marrakesh e Essaouira, com a chancela da editora Sublime Frequencies, bem como para a exibição de Derek Bailey: Playing for friends on 5th street, ocasião para uma homenagem póstuma a uma das figuras maiores da história da música improvisada.
A salientar, por fim, o regresso da instalação interactiva Ouvido Raro, um conceito exclusivo do Out.Fest, na qual o público tem a possibilidade de misturar, em tempo real, peças de diferentes autores e durações, que se repetem indefinidamente, permitindo um número virtualmente infinito de diferentes combinações e composições. Este ano o Ouvido Raro estará online, no site do festival, entre o dia 1 e 31 de Maio, disponível para os aspirantes a compositores e meros curiosos de todo o mundo. O festival é uma organização da OUT.RA - Associação Cultural, com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro.